domingo, julho 01, 2012

OS HEADPHONES VERMELHOS

Nas oportunas e sempre pertinentes reportagens do Nuno Luz, foi possível vislumbrar um denominador comum: elevados índices de vacuidade. Pronto, dois denominadores comuns: a vacuidade e os headphones vermelhos gigantes portados pelos jogadores. Rivais dos headphones utilizados por profissionais de estúdio, estes headphones tornaram-se extremamente populares entre as vedetas de bola, destronando os outrora “must bes” da moda das estrelas que foram, por exemplo, as pochetes e as madeixas. Um jogador consagrado da Selecção ir a algum lado sem estes headphones, em geral colocados em descanso no pescoço, parece hoje quase tão irreal como o Ronaldo jogar sem o cabelo completamente grudado. Os headphones vermelhos estão para a vedeta como a tatuagem de “Amor de Mãe” está para um ex-combatente no Ultramar.
Porque são tão grandes? Não sabemos. Talvez possuam uma potência assombrosa e proporcionem uma sensação de conforto muito agradável nas orelhas. Mas deve ser para replicar o fenómeno estético dos grandes tijolos que fizeram furor na comunidade hip-hop. Porque são todos vermelhos? Ignoramos. Pode ser uma questão de marca ou pode ser para combater a escassez de benfiquismo na Selecção. Se funcionam efectivamente enquanto ponto de escuta? Não conseguimos afirmar. Mas também não interessa; o que importa é que funcionam como adereço e o facto de possuir uns headphones vermelhos gigantes pendurados no pescoço é um genuíno grito de vedetismo. São um “statement” de afirmação em si mesmos. E depois, para bem da saúde dos próprios headphones, sempre é melhor aconchegar-se num pescoço qualquer, mesmo o imbuído de pura ruindade como o do Pepe, do que aturar a pimbalhada musical que tanto agrada ao jogador de futebol debitada a decibéis impróprios. E depois, dói só de imaginar a quantidade de cera acumulada nas cavidades auriculares e a extracção da mesma por intermédio duma unha dum, sei lá, Ricardo Costa qualquer.
Quem não se adapta a estas novas realidades sofre as consequências. Por exemplo, vimos numa dessas reportagens o Rui Patrício sentado ao lado do João Pereira no autocarro, utilizando uns headphones finíssimos de iPod, desgarrados de todo o ambiente, minimalistas, brancos, quase imperceptíveis. Patrício, bronco como sempre, não suspeitou de nada, sorriu para a câmara e carregou no “play”. Ao seu lado, João Pereira gozava com o caricato da situação, quase rebolando no banco ao aperceber-se do óbvio. Virou-se para Patrício e, com a eloquência que o caracteriza, deve ter-lhe dito qualquer coisa como, “ó meu ******, ****-** que essa ***** desses phones já não se usam, ********! ****-**, que estou ****** com este ************, ó ********!.... Se queres ouvir som, vai mas é lá para trás, ó ********* que te ****, **********! ********, **** de ******, *********!”, que obviamente não foi reproduzido. Mas Patrício não percebeu o alerta, empenhado que estava em ouvir o seu Jay-Z, Jessie J ou Zé Cabra e ficou a dar mau-aspecto o resto da viagem. 
Patrício tem potencial, de facto. Mas só se tornará numa estrela internacional e concretizará uma transferência digna de Roberto se começar a usar uns headphones vermelhos publicamente. Porque doutra forma nunca será visto como um grande jogador e será apenas um pacóvio que gosta de ouvir som. E para ouvir música estão os gajos na bancada com os seus headphones corriqueiros. É verdade, o hábito faz o monge e os headphones vermelhos fazem um jogador.

1 comentário:

Leididi disse...

Tás muita forte no paint!