quarta-feira, setembro 05, 2012

o ciclo

Sai sempre a correr. Sempre. Deixou tudo para a última. Sempre. O telefonema, o email, a AF, até a reunião.
Entra no carro. Liga a música. Espreita as horas. É tarde. É sempre tarde. Devia pintar os olhos, dar um jeito ao cabelo, pôr uns brincos. Toca o telefone. Paciência, já não se arranjará. É a mãe com a conversa do costume. Está tudo bem? Como correu o dia? Estás melhor? Devias sair e arranjar um homem... já não vais para nova. E ultrapassar. Sim, filha, tens de ultrapassar a morte deles. Ok, depois falamos disso, mãe.
Foram dez minutos disto. Como sempre. E, mais uma vez, está a chegar. Hoje nem está atrasada. Poderá olhar melhor para eles antes de escolher.
As regras essas estão definidas há muito. Lançará charme ao primeiro, dará um beijo no segundo e seguirá para casa daquele que tiver os olhos do filho. É sempre assim. Tão certo como a dor que a rasga. Tão certo como o sofrimento de uma mãe que deixou de ter um filho. Para sempre.

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