quarta-feira, setembro 19, 2012

o Humor

«Esta foi a forma escolhida pela revista para dedicar a mais recente edição às manifestações que agitam o mundo muçulmano por causa de um filme, produzido nos Estados Unidos, que ridiculariza o profeta Maomé. O site da revista está inacessível. Há milhares de comentários na página da revista no Facebook, e também se pode ver uma cópia da primeira página com a caricatura de Maomé, mas não há informação sobre o que terá acontecido ao site.»

Há quase 5 anos vivia em Paris e a polémica do momento era a questão do véu (link). 
Releio essas palavras e noto que alguma coisa mudou na minha percepção dos acontecimentos e, sobretudo, dessa intrincada relação entre liberdade (individual) e responsabilidade (estatal). Continuo a achar que uma mulher tem tanto direito a usar véu (julgam-me por isso...) como a usar um crucifixo. O essencial será sempre que a escolha seja mesmo dela, e não do pai, irmão, marido, grupo social/religioso pertencente (será possivel não ser influenciado pela pressão de grupo em relação a hábitos e símbolos?)
No caso das representações de Deus, de um profeta ou nos ataques mais ou menos violentos às representações e crenças religiosas, o problema parece-me bem mais complexo. Mais do que o individual conta o colectivo. Mais do que o colectivo interessa e convém proteger a laicidade e/ou religiosidade de cada um. Uma das obrigações do Estado, certo?  Infelizmente, continuo com demasiadas dúvidas em relação a tudo isto. Talvez o receio das reacções não racionais e muito violentas que se espalham por todo o mundo me prejudique a capacidade de julgamento. Talvez seja só isso. Talvez...
Sei apenas uma coisa: Não acredito em Deus, nem em religião, ou mesmo na necessidade de Igrejas (locais de culto), mas claro que aceito que cada um acredite e defenda essas crenças. É isso a Liberdade no seu expoente. Por isso mesmo, custa muito que alguém não deixe o Outro expressar-se numa das mais importantes formas de liberdade: o Humor.

1 comentário:

RockyBalbino disse...

Mas a nossa brilhante esquerda acolhe o uso do véu e proibe o do crucifixo.