sexta-feira, setembro 21, 2012

"Se os sapatos te magoam, tens de substituí-los. Mas não podes mudar de pés!"


 © Rua de Baixo

2006. 2008. 2010. 2012.
Lisboa. Paris. Istambul. Lisboa. 
Á espera de Godot  no Meridional. (link) Errar no 20ème arrondisement.(link) Passar pelas paisagens áridas da Turquia.(link) Viver  Lisboa. E perder as palavras.
Assim se faz um circulo que, na realidade, é uma linha contínua.
O Sr. Ibrahim e as flores do Corão é a peça. É o exagero. O auge. E de uma forma brutalmente simples. Cenário despojado, palavras certeiras. É um hino à amizade, lê-se algures. É mais do que isso, é um monólogo a mil vozes e experiências. O diálogo das nossas vidas.
Saí como poucas vezes me senti. Sem palavras. Verdadeiramente «nem vale a pena dizer mais nada». E depois, sem aviso, começaram a brotar palavras, recordações, emoções. 

Vi pela primeira vez Á Espera de Godot  neste mesmo teatro. Saí igualmente arrebatado.
Rasguei as ruas de Paris tardes a fio. Espreitei os árabes - aqueles que estão abertos das 8h até às tantas -, e conheci o 19ème e 20ème arrondisements. Apaixonei-me por esses diferentes mundos bem no centro do mundo. Li La vie devant soi  - e que semelhanças- em cafés dessa zona. Bem em frente às mercearias dos senhores Ibrahim.
Conheci Ancara, Istambul e a viagem que as une. Faltou-me o carro novo e um ancião ao meu lado.
E Lisboa. Sempre Lisboa. Uma cidade minha, que é cada vez mais toda de todos.

Perco-me nas palavras. Nas ideias. Queria que tudo fosse simples. Reduzido ao essencial, tal como nesta peça. Sem extras, como no carro do senhor Ibrahim. Só uma música minimal, uma luz singela, e as palavras. Que palavras. Obrigado, Eric-Emmanuel Schmitt. Obrigado, Rui Rebelo. E obrigado Miguel Seabra. Obrigado Meridional.  Obrigado!

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