terça-feira, outubro 23, 2012

dos cavalos e baionetas

«Um Presidente em funções parte normalmente para um debate sobre política externa como o de segunda-feira à noite em vantagem porque ao contrário do outro candidato, os americanos não precisam de imaginar como é que ele será enquanto comandante militar – Obama tem um historial de quase quatro anos e esse historial é uma das áreas mais fortes da sua presidência, graças à captura de Osama Bin Laden e ao fim da guerra no Iraque e retirada do Afeganistão.»



Tal como refere o artigo do Público, a política externa é quase sempre um terreno favorável para quem já está no poder, pois são conhecidas as suas práticas e, sobretudo, a sua postura. Obama soube jogar com isso, e aproveitou-se da sua inteligência e humor para ganhar o último debate. Mereceu-o.

Obama teve um (primeiro) mandato positivo. Economicamente defendeu dentro das suas possibilidades reais os mais vulneráveis e empobrecidos pela crise e teve uma «relação com o mundo» dentro da normalidade democrata. Mas faltam-lhe melhorar alguns aspectos…

É muito divertido falar de cavalos, baionetas e outros anacronismos, porém o que teria sido fundamental discutir ontem era: o futuro da UE, ou a forma como os EUA lidam com a crise mundial; formas de obrigar a China e Rússia a respeitarem os direitos humanos (já que pedir o mesmo aos Guantanamos desta vida é impossível, não é?); o flop que foram as revoltas árabes, ou vamos acreditar que matar uns ditadores e lançar os países num caos é uma vitória?; os não-avanços no conflito israelo-árabe; o Protocolo de Quioto, sim, isto também é política externa.
Em suma, houve muito pouco Mundo num debate virado (ou escutado) por todo o mundo. Fica para a próxima?



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