quinta-feira, novembro 29, 2012

A melhor geração está de partida


Olhamos à nossa volta e vemos, todos os meses, milhares de jovens emigrar. Ouvimos amigos e filhos de amigos falar dos seus planos para partir. Não com a satisfação de quem procura novas experiências, mas com a frustração de quem sente que o País onde nasceu não lhe dá nem lhe dará no futuro qualquer oportunidade.
Comparamos muitas vezes esta emigração com a do passado. É incomparável. O que estamos a perder agora são as primeiras gerações de gente qualificada. Qualificada graças a um investimento que, no discurso dominante, é tida como um luxo incomportável.
O emigrante dos anos 60 vinha de meios rurais e era, em muitos casos, ou analfabeto ou próximo disso. O emigrante atual é jovem, qualificado e procura carreira, e não apenas dinheiro para sobreviver no estrangeiro e depois regressar. Segundo uma investigação da TL network e do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa os emigrantes saem de Portugal cada vez mais jovens. Por isso, com cada vez menores laços emocionais com o País.
Esta vaga de emigração não terá apenas um efeito catastrófico no já desastroso equilíbrio demográfico do País. Terá efeitos profundos na sustentabilidade da segurança social, na competitividade da nossa economia, na capacidade de inovação e em todos os domínios do futuro de Portugal. Envelhece, desqualifica e atrasa o País.
Paulo Azevedo, presidente executivo na Sonae, disse este mês que a maioria dos que emigram regressarão. A afirmação vale o que vale. É uma fezada. Regressarão se isto melhorar. Regressarão se o que encontrarem lá fora não for muito melhor. E quando estamos a falar de pessoas qualificadas, dificilmente, com o que está a ser feito a este País, terão razões para regressar nas próximas décadas.
A razão porque Paulo Azevedo diz isto está numa outra declaração sua: "é melhor trabalharem no estrangeiro do que estarem desempregados". É verdade. Acontece que alguns dos que emigram não tinham apenas o desemprego como destino em Portugal. Tinham um trabalho mal pago e sem qualquer segurança ou perspetiva de futuro. Eram sobrequalificados para o tecido empresarial português, que, por culpa própria e do Estado, não acompanhou o investimento público na qualificação do trabalho. O modelo de desenvolvimento que este governo defende, com uma aposta na competitividade pela redução dos custos de produção, não dá aos jovens emigrantes qualquer esperança de regresso. Portugal acentua todas as razões que os levam a partir.
Pode até acontecer que esta seja a última vaga de emigrantes qualificados. Por uma simples razão: se o nosso modelo económico despreza a qualificação, deixaremos, com o tempo, de qualificar os nossos jovens. E ficaremos muito próximos dos países subdesenvolvidos, que formam os seus quadros no estrangeiro e dependem do estrangeiro para tudo o que exija alguma especialização. Seremos o que já fomos: um fornecedor de mão de obra desqualificada e de talentos por formar.
Se a taxa de emigração jovem continuar a subir - como o FMI recentemente confessou ser, com a aplicação da austeridade, inevitável -, Portugal estará condenado por décadas. Teremos de começar tudo do princípio. O investimento que fizemos, e que permitiu inverter em tempo record os nossos indicadores sociais, escolares e de saúde, teve resultados lentos. Mas para destruir esses resultados e atirar para o lixo todo o dinheiro que usámos não é preciso muito tempo. Bastam dez anos.
Há uma parte de tudo isto em que temos, como comunidade, fortíssimas responsabilidades. Desprezamos, enquanto povo, quase todas as conquistas dos últimos quarenta anos. Apesar de temos um dos melhores serviços nacionais de saúde do Mundo, quando não tínhamos nada antes, poucas vezes guardámos uma palavra positiva para ele. Apesar de termosdemocratizado e generalizado o ensino em pouquíssimo tempo, guardámos os elogios para a escola do passado, que ensinava, e ensinava mal, uma pequena minoria. Desprezámos as impressionantes evoluções em saneamento básico, infraestruturas e condições de vida dos portugueses. Com imensos erros, conseguimos coisas extraordinárias e raramente, no nosso discurso quotidiano, lhe demos qualquer valor.
Num artigo do jornal "Público", ainda antes das últimas eleições, Pedro Passos Coelho recordava que, de 1973 a 1999, as despesas sociais passaram de 8,7 por cento para 26,1 por cento. Acontece que antes do 25 de Abril cinco milhões de portugueses não tinham cobertura médica, a mortalidade infantil estava na estratosfera e havia muitas vezes mais analfabetos do que licenciados. Na altura, as nossas despesas sociais estavam, em percentagem do PIB, muito abaixo da média europeia. E continuam a estar. Mas aproximámo-nos da Europa. E agora, que os nossos amigos, os nossos filhos e os nossos netos partem, porque os que sempre viram estas conquistas como "demasiado generosas" finalmente levaram a melhor, choramos por o que estamos a perder.
Como comunidade, temos de nos perguntar: soubemos merecer as nossas vitórias? O País que construímos nas últimas décadas (e que é visível na mais qualificada e preparada geração da nossa história, que durante anos tratámos, por despeito, como ignorante) está a partir. Se nada fizermos, ficará o País do passado. A não ser, claro, que tomemos a defesa do que conquistámos como a luta das nossas vidas. Melhorando o que há para melhorar. Mas nunca regressando a um passado que nos obrigou a conquistar em poucas décadas o que outros tiveram um século para conseguir.

Daniel Oliveira in Expresso, 29.11.12

quarta-feira, novembro 28, 2012

A Rua

Desço a rua pelas últimas vezes, saboreando assim um ritual que se irá perder muito em breve. Sabermos, de antemão, do fim de uma rotina, dá-nos tempo para entender melhor aquilo que fazemos. Porque é que, ao longo do tempo, fui escolhendo esta rua, e não outra, para chegar ao destino; quem são estas caras que eu reconheço, sem nada mais saber do que o facto de com elas me cruzar nesta rua.

Desço, então, a rua, pelas últimas vezes, nada amargado com a situação reconhecida, nem sequer desiludido com o fim de algo que não soube bem como começou. O sol decidiu aparecer, apesar da brisa gelada que vem do rio. Na calçada, mais uns taipais anunciam novas obras, reconstituições. Sinal de que nada é para sempre, nesta rua, nesta vida.

Luís Filipe Cristóvão

a cantiga é uma arma?


Kalashnikov,  Goran Bregović

terça-feira, novembro 27, 2012

da justiça

somos bons homens. não digo que sejamos assim uns tolos, sem a robustez necessária, uma certa resistência para as dificuldades, nada disso, somos genuinamente bons homens e ainda conservamos uma ingénua vontade de como tal sermos vistos, honestos e trabalhadores. um povo assim, está a perceber. pousou a caneta. queria tornar inequívoca aquela ideia e precisava de se assegurar da minha atenção. não tenho muita vontade de falar, sabe senhor, estou um pouco nervoso, respondi. não se preocupe, continuou, a conversa é mais para o distrair e se ficar distraido sem reacção, também não lho levo a mal. é o que faz a liberdade, acrescentou.

a máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe

Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa 2012

segunda-feira, novembro 26, 2012

βιβλιοϑήκη



Der Himmel über Berlin, Wim Wenders
(via Hipátia)

quinta-feira, novembro 22, 2012

silêncio que se vai escrever o fado


Já todos atirámos uma pedra


Na campanha que antecedeu as últimas eleições legislativas, acusado de perturbar a ordem num comício do PS, um apoiante de Passos Coelho foi detido pela polícia, parece que paisano. Na ocasião, o actual primeiro-ministro afirmou: “Não é normal que as pessoas que se querem manifestar sejam tratadas de forma violenta.”
Na semana que passou o discurso de Passos Coelho foi outro. A mudança do tom não surpreende. Recorda o que Miguel Portas, num dia não muito longínquo, afirmou a respeito de Passos Coelho: tem a espinha dorsal de um caracol.
Mas se as razões do primeiro-ministro podem ser deduzidas da sua anatomia, é verdade que existem questões relativas aos usos políticos da violência que são mais complexas.
Durante a última semana, nos media, não faltou quem condenasse os lançadores de pedras, invocando-se, sobretudo, dois tipos de motivos.
Uma parte dos comentadores declarou que a violência seria sempre reprovável. Não vejo como possamos aceitar esta tese. Em política podemos escolher entre tipos de violência, não podemos escolher entre violência e não-violência. A esmagadora maioria dos comentadores que criticam os lançadores de pedras condenam a violência em si mesma, mas não recusa a existência de forças policiais, isto é, o monopólio estatal da violência. Isto para não referir que, em assuntos de relações internacionais, não raras vezes opta pela violência de um Estado contra outro. Ou seja, se a crítica a quem atira pedras à polícia é legítima, fraudulento é vestir essa crítica como pacifista. A argumentação moralista peca ou por excesso de ingenuidade ou por excesso de hipocrisia.
Outra parte dos comentadores que condenaram quem atirou pedras à polícia declarou que a violência não leva a nada. Este argumento pragmatista é igualmente inválido. A violência ergueu e derrubou regimes, proibiu e permitiu greves, levantou e eliminou barreiras de todo o tipo, do Muro de Berlim às cercas dos latifúndios alentejanos. É verdade – e é importante recordá-lo sempre – que a violência por si só nada resolve, mas é discutível que por si só alguma coisa resolva o que quer que seja.
Em suma, ao debatermos questões relativas à violência política não podemos abdicar nem de argumentos de ordem moral nem de argumentos de ordem pragmática, mas não devemos reduzir a discussão política ou a uma questão moral ou a uma questão pragmática. Na verdade, devemos entender a política como um lugar onde ambas as questões inapelavelmente se interpelam. Recusemos a exigência pacifista segundo a qual quem luta por um mundo sem guerra tem de agir de forma absolutamente pacífica. E recusemos a afirmação militarista segundo a qual a guerra possa simplesmente ser um meio para a paz. Fazemos política obedecendo a certos fins, que são determinados pelas nossas convicções morais, e recorrendo a certos meios, que são definidos pelas nossas decisões táctico-estratégicas. Os fins e os meios não têm de coincidir em absoluto, como exigem os pacifistas, nem podem ser simplesmente opostos, como admitem os militaristas. Devem antes exercer uma vigilância recíproca.
Que prática política de combate à troika e ao governo na actual situação poderá respeitar este princípio geral? É complicado dizer. Deixarei algumas notas a esse respeito numa próxima crónica. Nestas últimas linhas quero simplesmente solidarizar-me com todos os que foram detidos na última manifestação, incluindo o sindicalista sexagenário acusado de ter atirado pedras à polícia.
Em tempos idos, o Herman José inventou um concurso intitulado “Este homem é um Gandhi?” e que consistia numa simples prova: um concorrente chegava e era sujeito a inúmeras sevícias e provocações; se ainda assim não se revoltasse, estava encontrado mais um vencedor. A troika e o actual governo andam há meses a fazer--nos jogar este jogo. As coisas pareciam estar a correr bem até à semana passada, dia da greve geral, quando os primeiros concorrentes se revoltaram violentamente. Não eram o Gandhi. Quem for que lhes atire a primeira pedra.

José Neves, jornal i, 22.11.12

«We used to meet every Thursday»



Morphine

dos filmes


olhó blog fresquinho... é fruta ou chocolate. ou mesmo cinema e dvd.

esta folha é tua ou é impressão minha?

a nova imagem do jornal público online está muito minimalista, não é?

lisboa-folha-a-folha

quinta-feira, novembro 15, 2012

Edição exclusiva, blog singular

Todos procuramos uma edição exclusiva. Mas sem exclusividade.
Todos queremos singularidade. Mas sem lugares-comuns.
Todos lemos. Mas... Todos lemos, ponto final. 

Adelino Abrantes, Dora Batalim SottoMayor, Filipe Leal, Hugo Xavier, João Carlos Alvim, João Costa, Jorge Silva, José Afonso Furtado, Nuno Medeiros, Nuno Seabra Lopes, Rui Beja, Rui Zink e muitos editores, autores e convidados farão deste blog uma Edição Exclusiva.

Tudo no mesmo saco



Temos o saco de pano; o saco das compras; o saco de desporto; o saco azul; o saco do pão; o saco do (a)massapão (houve muito disso à volta da assembleia); o saco dos preconceitos. É de encher o saco.

Adoramos meter tudo no mesmo saco. Tomar o todo pela parte. Assegurar que uma andorinha faz a primavera. Fazer juízos de valor sobre tudo, «embora eu não seja de falar do que não sei». Podemos não ter estado lá e embora os relatos de quem lá esteve apontem uma coisa, a televisão outra, temos uma certeza inabalável do que aconteceu. Oh, se temos. Mais não seja porque temos uma história algures no passado que se adapta bem à medida do que aconteceu. (Na realidade não tem qualquer paralelo mas longe de mim falar do que não sei.)

O mundo divide-se em sacos. Ou será em pedaços? Partes? Bocados? Grupos? Etnias e religiões? Posso garantir que a culpa é dos ciganos, pretos, judeus, paneleiros, gordos, policias, nazis, comunas, tripeiros e políticos. De todos. Mas de todos mesmo. Menos dos que saem da norma. Da normalidade e vulgaridade. Crescemos a ler «todos diferentes, todos iguais» mas esse chavão só serve para colar no caderno, fazer conversa e comprar roupa nova da Benetton.

Repito: o mundo divide-se em sacos. O universo digital das redes sociais é um bom exemplo (não é o único nem representa todos, ok?) do que se passou ontem. Ou melhor, do que se passa hoje. Sinceramente, nem era necessário ter havido manifestação ou tumultos depois porque já todos tínhamos uma ideia. Já todos tínhamos posto o Outro no saco.

Num saco temos os «betinhos». São aqueles que não vão a manifestações nem fazem greves. Mais do que isso, acham que não serve para nada. Existem porque… nem sabem bem porquê. «Se eles trabalhassem em vez de andarem na boa vida o país estava bem melhor». Nesse saco também se podem guardar os que têm a certeza de que isto ia acabar com molho. «Aquilo é sempre muito violento. Nota-se que há ali gente que não está para fotografar nem beber uns copos. Ridículo.»

Noutro saco temos os que começaram a ir a manifestações porque a situação está insustentável. Desempregados ou precários. Insatisfeitos com a oferta partidária ou com o seu último voto. Com ou sem subsídio. Estão desiludidos com o sistema e tendem a confundir Estado com Governo. A culpa é de quem mesmo? Para os infelizes habitantes deste saco a culpa morre sempre solteira. E isso é perigoso. Muito.

Também temos o saco dos «profissionais da desordem». A polícia e os serviços secretos sabem bem que eles são. Sabem tudo sobre eles. Que são estrangeiros, que são portugueses, que se vestem de preto, que se vestem com cores, que têm organizações e associações para prepararem os ataques, que são anarcas, que são comunistas, que são skins, que são das claques, que são… Não deixa de ser curioso que se saiba tanto sobre eles e, contudo, não se faça nada para os impedir de estar nas manifestações. Se no mundo do futebol se obriga os perigosos arruaceiros a estar nas esquadras na hora do jogo, porque não se faz o mesmo aos «profissionais da desordem»?

O saco dos polícias é pesado. É pesado porque eles têm uma vida dura. Ganham indiscutivelmente mal para o que fazem e para as privações que sofrem. Se ganham mais do que muitos cidadãos? Claro, mas continuará a ser pouco. A polícia será sempre mal vista, pois é inevitável que haja sempre franjas com um discurso anti-sistema, e eles serão a face visível do mesmo. A polícia agiu bem nas últimas manifestações e exercícios de civismo dos portugueses. Muito bem, até. Contudo, ontem tudo foi diferente. Porquê? Será que o aumento de 11% lhes deu a volta à cabeça? Será que tal como no saco dos que vivem situações insustentáveis um dia a paciência chega ao limite? Será que 2 horas com pedradas em cima mói a cabeça a uma pessoa? É provável que seja tudo isto. Mas também é certo que houve violência policial. Houve excessos policiais (excepto para aqueles que estão no saco dos «betinhos» ou no saco da polícia).

E não há mais sacos? Se eu ou tu não fazemos parte de nenhum destes sacos é porque algo está errado, certo? Errado. Não te preocupes com isso, rapaz. Alguém há colocar-te num dos sacos. Nunca somos nós próprios que escolhemos e nos acomodamos ao saco que nos convém, é para isso que serve o saco. O saco dos preconceitos. O importante é que estejamos todos em sacos diferentes, que não exista unidade nem desejos comuns, pois só assim as manifestações estarão mais vazias, o país mais pobre e a derrota da democracia mais iminente.

E com tudo isto já enchemos o saco? Ou caímos todos em saco roto?

segunda-feira, novembro 12, 2012

quinta-feira, novembro 08, 2012

mucha policia, poca diversion

 © Banksy

A PSP está a preparar ao pormenor a visita da chanceler alemã, mas, ao público, diz apenas que as residências de Cavaco Silva e Passos Coelho são os pontos mais críticos. A subcomissária, Carla Duarte, admitiu que já recebeu informação sobre várias manifestações, mas garante estar atenta aos protestos convocados por meios informais. in Público

Meios informais como facebook, twitter, conversas de café, taxista? Ou bufos? Tenham juízo e juntem-se a nós.

música amiga

a música acalma. a música embala. a música é neurose. a música é festa. a música é regional. a música não tem nacionalidade. a pobre música - que é no fundo é tão rica -, já foi mil vezes descrita. esta música é variada, é diferente, é lisboa, é barcelona e é lima. obrigado pela música amiga, amigo.

Gunthi
(link)


Joaquim Barato
(link)

Brando Fel
(link)

  

quarta-feira, novembro 07, 2012

queres ver que os maias tinham razão?

O volume de negócios do sector livreiro português foi de 361 milhões de euros em 2010 e, apesar da quebra nos últimos anos, continua a ser “uma indústria cultural de grande relevância”, disse à Lusa o investigador José Soares Neves, do Observatório das Atividades Culturais (OAC). 

e os homens-de-barba-rija lá ganharam


os que acompanharam a contagem dos votos (quase) até ao fim. e os que votaram e seguem em modo forward. parabéns, sr. obama!

terça-feira, novembro 06, 2012

Só para homens-de-barba-rija

Chegou o dia do veredicto para os dois candidatos à Casa Branca. Depois de milhares de quilómetros percorridos, centenas de comícios e milhões de dólares gastos numa campanha que se fez até ao último fôlego, os eleitores norte-americanos são hoje chamados a decidir entre Barack Obama e Mitt Romney. E os resultados na primeira localidade a votar são pouco animadores para quem espera uma noite eleitoral curta. 

Confesso que adoro o frenesim de umas eleições. Gosto mesmo da expectativa, do aumentar da ansiedade, da quase-semelhança com o jogo de futebol que decorre do outro lado do mundo e não depende nada, mesmo nada, de nós. Hoje vai ser um jogo rasgadinho. Só para homens-de-barba-rija. Aposto num:


Para ir pintado o mapa com a realidade (link). Ah, e boa noite!

e se Cavaco for o nosso Mitterrand?

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muito mais do que Lisboa nos anos 60


Da entrevista ao Pantera Negra à inacreditável história de Carlos Gomes, o guarda-redes acusado de violação que foge no intervalo de um jogo dentro da bagageira de um "boca de sapo", o grande Rui Miguel Tovar assina todos os textos sobre desporto do Lx60. Menos dois, ambos escritos pela Joana: a história do primeiro surfista português e a do começo do Totobola. Daí a reacção do RMT quando ia no metro a ler o livro e deu de caras com o já famoso "1X2": não tínhamos falado com ele e ele tinha o primeiro boletim, uma preciosidade, que se apressou a enviar-nos digitalizado por mail. Pois bem, é para isso que serve este blogue. Aqui fica o primeiro boletim - com um bónus: a chave vencedora, cheia de surpresas, nada fácil de adivinhar. Totalistas, só um: um estudante de Vila Real, que recebeu 224 contos, uma bela maquia. O 13 na estreia do Totobola:

1. Olhanense – Sp. Covilhã: 1
2. Salgueiros – Académica: 2
3. Leixões – Benfica: 2
4. Sporting – Lusitano: X
5. Beira Mar – Porto: X
6. Guimarães – Atlético 2
7. Belenenses – CUF: 1
8. Oliveirense – Sporting de Braga: 2
9. Caldas – Torriense: 1
10. C. Branco – Espinho: 1
11. Barreirense – Seixal: 1
12. Beja – Farense: 2
13. Portimonense – Campo Maiorense: 1


Este livro é uma preciosidade. É um mimo. É um must. É uma deliciosa viagem ao passado. À minha Lisboa, que aqui se apresenta tão cheia de histórias e pormenores deliciosos. Já são mais de dois anos de volta dos livros e nunca tinha tido tanto prazer em editar um livro (mesmo que o menino tenha vindo quase todo feito). Joana e Nick materializaram neste livro uma forma de pensar a palavra, a imagem e o contar uma história, do mesmo jeito que o jornal i faz. Mas foram mais além. Muito mais. Este livro é uma benção no mundo editorial actual. É cuidado e arrojado. É do passado e do presente. Este livro é muito mais do que Lisboa nos anos 60. E isso é tão bom. Obrigado a todos os que o concretizaram.

Lisboa, anos 60 - A vida em Lisboa nunca foi mais a mesma
Joana Stichini Vilela
Nick Mrozowski
e muitos outros
Dom Quixote
€ 22,41 (aqui)

forward?


O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, parte para a votação de hoje com uma vantagem sobre o seu adversário republicano Mitt Romney que é ao mesmo tempo "modesta" mas "significativa": apesar de as sondagens sobre a intenção de voto mostrarem uma divisão ao meio do eleitorado norte-americano, no conjunto limitado de estados que desempatam a corrida à Casa Branca, os números dão uma ligeira vantagem a Obama para chegar aos 270 votos do Colégio Eleitoral que consagram o vencedor. in Público

Em 2008 não tinha dúvidas. Hoje também não. Não tenho dúvidas de que Obama é o melhor para os EUA e para grande parte do mundo. Obama é o mais europeu. Ou será o mais universalista?
Porém, os seus 4 anos de mandato não foram perfeitos e até que começaram bem pois um Nobel não é para todos, sobretudo se for o Nobel da Paz (para quem não tinha feito nada). O Obamacare vai avançando devagar, a economia está com problemas graves e a sociedade não está mais unida. O que mudou então? O que avançou? Creio que pouca coisa, mas Obama continua a trazer consigo  a ideia de sonho, de mudança, de progresso. É pouco, todavia é bem melhor do que um mormon.

adenda: Fiquei maravilhado com a quantidade de posts (link) que tenho sobre Obama ao longo destes últimos quatro a cinco anos. Sintomático?

sexta-feira, novembro 02, 2012

a culpa é da chuva. sempre.

Não é um longo regresso a casa. Não há muito em que pensar. Não se sente a falta de um guarda-chuva. Não existe fim do amor. São tudo certezas. Tudo garantias escritas sobre as negativas dele. Ela lê o livro. Marca as páginas das frases bonitas com uma pequena dobra no canto inferior. Ela sabe que isso lhe faz confusão. Sabe até que ele não terá pudor em lhe atirar isso à cara. Tal como lhe dirá que o amor acabou. Ela responderá que não. Que podem lutar. Pelas crianças, pelo menos. Não há crianças, ambos sabem disso. Há um desejo mas está ferido de morte. Ela chora. Lágrimas escorrem pela sua cara rosada. A viagem é curta mas todos verão as suas lágrimas. Ele não as verá. Ele nunca vê nada. Ele não a verá mais. Ela deve morrer. É melhor assim. Será o final perfeito para o amor imperfeito que viveram. E lá fora chove. A culpa é sempre da chuva.

quinta-feira, novembro 01, 2012