sexta-feira, novembro 02, 2012

a culpa é da chuva. sempre.

Não é um longo regresso a casa. Não há muito em que pensar. Não se sente a falta de um guarda-chuva. Não existe fim do amor. São tudo certezas. Tudo garantias escritas sobre as negativas dele. Ela lê o livro. Marca as páginas das frases bonitas com uma pequena dobra no canto inferior. Ela sabe que isso lhe faz confusão. Sabe até que ele não terá pudor em lhe atirar isso à cara. Tal como lhe dirá que o amor acabou. Ela responderá que não. Que podem lutar. Pelas crianças, pelo menos. Não há crianças, ambos sabem disso. Há um desejo mas está ferido de morte. Ela chora. Lágrimas escorrem pela sua cara rosada. A viagem é curta mas todos verão as suas lágrimas. Ele não as verá. Ele nunca vê nada. Ele não a verá mais. Ela deve morrer. É melhor assim. Será o final perfeito para o amor imperfeito que viveram. E lá fora chove. A culpa é sempre da chuva.

Sem comentários: