sexta-feira, dezembro 28, 2012

do real

É mais um final de tarde, de mais um dia longo, demasiado longo. Há cansaço em todos os corpos. A carruagem vai enchendo, a temperatura subindo, as conversas desaparecendo. M. fecha os olhos e deixa-se ir. Abandona a vergonha do bater da cabeça e o respirar pesado. Parece mais velho do que é, e talvez mais pobre. Gasto, certamente gasto. Acordou cedo. Como sempre. Como todos os dias de todas as semanas. Sempre. Como sempre. Deixa-se ir. Ouve vozes ao fundo, estas facilmente se confundem com o sonho. Há festa, alegria, comida - lembra-se bem da comida, ah!há comida boa - e amigos no sonho. Sente-se bem nessa outra vida. Será outra vida? Os barulhos em volta aumentam. Há risos e alguns insultos, mas o sonho corre bem. Ou escorre. Porque tudo é tão fluido e natural. Está numa praia. Bonita e serena. Como a mulher que o observa. E faz calor. Muito calor. É um dia de verão daqueles muito quentes. Muito mesmo. Dói. Dói-lhe a alma por não ser real aquele sonho. Dói-lhe o corpo por serem reais os animais que lhe pegaram fogo. É tarde. Tudo acaba cedo. Como o seu sonho. Como a sua vida.

«esta é a minha verdade, e é isso que interessa.»

A Farsa da Rua W, Enda Walsh, Artistas Unidos

deixo palavras por escrever, falho os momentos certos, esqueço as referências, ignoro os elogios. são filmes, concertos, livros, peças sobre os quais devia ter dito algo e não o fiz. depois penso nisso e fico triste. desiludido. este blog pode não ser especial, pode não ser complexo nem coerente, pode não ser nada mas é composto de mim mesmo. é uma obrigação que não pode -jamais- ser esquecida: escrever.  mais não seja, e como enda walsh diz: «esta é a minha verdade, e é isso que interessa.» venha 2013.

é tabu

Tabu (Miguel Gomes, 2012)

este tabu não tem razão de ser, este tabu não pode ser proibido nem proibitivo, este tabu é mais do que um filme. é muito mais do que o momento cinematográfico português de 2012. este é o assunto de que se deve falar, continuar a falar. proibam-se pois os silêncios e as ausências. é ver, é ver, camaradas, que a guerra ainda agora começou. ou então não. não há politica neste filme, a guerra é pouca e tudo é leve. levemente ausente. os sessenta, os setenta, não há tempo, não há regras, mas há amor, desregras e um preto e branco viciante. este não é um filme português. este é o cinema universal que tanto prezo, não há choradinhos nem pobreza artificial, há uma câmara de filmar e uma história para contar. e isso é tudo.

Avante Benfica



“Todos por um!” eis a divisa, 
Do velho Clube Campeão, 
Que um nobre esforço imortaliza, 
Em gloriosa tradição. 
Olhando altivo o seu passado, 
Pode ter fé no seu futuro. 
Pois conservou imaculado
Um ideal sincero e puro. 
Avante, avante p’lo Benfica, 
Que uma aura triunfante Glorifica! 
E vós, ó rapazes, com fogo sagrado, 
Honrai agora os ases 
Que nos honraram o passado! 
Olhemos fitos essa Águia altiva, 
Essa Águia heráldica e suprema, 
Padrão da raça ardente e viva, 
Erguendo ao alto o nosso emblema! 
Com sacrifício e devoção 
Com decisão serena e calma, 
Demos-lhe o nosso coração! 
Demos-lhe a fé, a alma! 
Avante, avante p’lo Benfica, 
Que uma aura triunfante Glorifica! 
E vós, ó rapazes, com fogo sagrado, 
Honrai agora os ases 
Que nos honraram o passado! 

 via Ontem vi-te no Estádio da Luz

quinta-feira, dezembro 27, 2012

o pedro voltou a cometer um post



o mesmo pedro que diz que andámos a viver acima das nossas possibilidades e que portanto temos de empobrecer, que os trabalhadores portugueses têm direitos a mais, demasiadas férias, demasiados feriados, indemnizações altas de mais em caso de despedimento sem justa causa, que têm de trabalhar mais horas e pagar mais impostos e perder os subsídios de férias e natal e sofrer mais desemprego (porque, diz ele, temos de passar por isso e ainda deviamos pagar a tsu pelos patrões), afinal acha que mereciamos um natal melhor.

não tivemos, diz ele, 'os pratos que nos habituaram'. portanto os pratos estavam habituados, e não os tivemos, é isso? eram o quê, pratos de louça fina que pusemos no prego? (coitado do pedro, que tem idade para ter feito o exame da quarta classe, mas pelos vistos não lhe serviu de nada -- crato, que achas? talhante ou marçano?).

muitos de nós, diz o pedro, não pudemos dar aos filhos 'um simples presente' mas 'já aqui estivemos antes'.

como ele, o pobre pedro, no natal de 2010, que só ia dar presente à mai'nova, voltámos a saber o que é 'esticar a comida e dar aos nossos filhos presentes menores' (coisa que, claro, ninguém fazia até agora, por vivermos todos à tripa forra, a gastar o que não tinhamos, a lavar os dentes com a água a correr e a embardachar bife do lombo todo o santo dia).

a próxima frase merece uma leitura mais atenta, dada a sua deslumbrante polissemia: 'Mas a verdade é que para muitos, este foi apenas mais um dia num ano cheio de sacrifícios, e penso muitas vezes neles e no que estão a sofrer.'

portanto o pedro afinal reconhece que há gente que há muito vive com sacrifícios e que estes não chegaram agora, e é nesses, e não nos que antes não viviam com sacrifícios e agora vivem, que o pedro pensa 'muitas vezes' -- claro, era o que faltava pensar em quem vivia acima das suas possibilidades, que por acaso eram as possibilidades que ele, com esta brutalidade de impostos e com a austeridade louca a sufocar a economia e a causar desemprego e falências em catadupa, lhes retirou.

a não ser que o pedro pense muitas vezes é no que os sacrifícios estão a sofrer, que é o que na realidade está escrito graças à maravilhosa colocação de vírgulas (crato, diz lá: marceneiro ou canalizador?).

por fim, mais um monumento ao resultado infalível da educação pré-democrática: 'A eles, e a todos vós, no fim deste ano tão difícil em que tanto já nos foi pedido, peço apenas que procurem a força para, quando olharem os vossos filhos e netos, o façam não com pesar mas com o orgulho de quem sabe que os sacrifícios que fazemos hoje, as difíceis decisões que estamos a tomar, fazemo-lo para que os nossos filhos tenham no futuro um Natal melhor.'

como começar? portanto, o pedro pede aos sacrifícios e também a todos nós que no fim deste ano em que tanto foi pedido a um colectivo que o inclui (portanto ele pede-nos a nós, tão depressa tratando-nos por 'vós' como incluindo-se no nós) que ao olharmos para os nossos filhos e netos -- as pessoas sem filhos nem netos, como é o meu caso, ficam sem saber para onde olhar, apesar de nem por isso pagarem menos impostos ou terem menos risco de ficar desempregadas -- o façam com orgulho apesar de terem de esticar a comida e de não lhes poderem dar presentes porque é em nome de um natal muito melhor que há-de vir para os nossos filhos (os netos desta vez ficam de fora, inexplicavelmente). nota: 'os sacrifícios que fazemos hoje, fazemo-lo'. isto, pedro, dá pelo nome de inconcordância verbal, ou, mais corriqueiramente, analfabetismo. (trolha ou engomador, crato?)

e no fim disto tudo -- famílias separadas, sem comida que chegue, sem dinheiro para presentes, condenadas a sofrer em nome de um amanhã que entoa trinados celestiais -- o pedro diz que ele a laura (e as caniches, subentende-se) desejam 'a todos' (incluindo, claro, aos benditos sacrifícios) 'umas festas felizes'.

pedro, um conselho de inimiga: faz um cursozito de português básico, despede quem te anda a escrever estas merdas e.

para o que se segue ao e usa a imaginação (enfim, seja o que for que te faça as vezes): é isso tudo.

Fernanda Câncio in Jugular

quinta-feira, dezembro 20, 2012

terça-feira, dezembro 18, 2012

os sindicatos alemães são a grécia?

Os sindicatos alemães propõem que a crise na Europa seja ultrapassada por uma espécie de Plano Marshall à escala do continente,. Um pacote de mais de dois biliões de euros em dez anos, que crie postos de trabalho com investimento pago pelo sistema financeiro. 
A ideia foi lançada pela Confederação dos Sindicatos Alemães (DGB, na sigla em alemão), mas está aberta a contributos de outras centrais sindicais europeias, cujo envolvimento é desejado pelos alemães. Já chegou à chanceler, Angela Merkel, e deverá ser também enviado ao presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.
in Público


nota: tenho fé que o sr. coelho não vá nesta conversa e altere o rumo que definiu para o nosso país. temos, mais do que nunca, de manter a passada forte em direcção ao abismo. esta história do sr. marshall, de não pagar a dívida ou de os ricos pagarem a crise é uma bestialidade sem sentido. o nosso objectivo é só um: os primeiros e únicos a pagar toda a dívida sem em momento algum apoiar o crescimento económico do país (ou pelo menos do nosso portugal). assim o rei mago o consiga...

segunda-feira, dezembro 17, 2012

prémio-justiça-não-poética-leya-2012


À quarta edição o Prémio Leya (100 mil euros) vai pela segunda vez para um autor português: Nuno Camarneiro, de 35 anos, vence com Debaixo de Algum Céu.

Camarneiro tinha já uma obra publicada com a Leya, intitulada No Meu Peito Não Cabem Pássaros. A obra vencedora deverá ser publicada em Março e foi escolhida “por unanimidade” por um júri presidido por Manuel Alegre. 

Na conferência da manhã desta segunda-feira estiveram também Isaías Gomes Teixeira, presidente executivo da Leya, e João Amaral, director-coordenador das Edições Gerais da Leya. 

O prémio, no valor de 100 mil euros, é dado pelo grupo editorial Leya, um dos maiores grupos editoriais portugueses que reúne mais de uma dezenas de editoras e chancelas de Portugal, Angola, Moçambique e Brasil. O objectivo do prémio é distinguir um romance inédito escrito em português
O último prémio foi atribuído à primeira obra de João Ricardo Pedro, autor do romance O Teu Rosto Será o Último, um engenheiro electrónico, de 38 anos, que estava desempregado. 

O prémio, de 100 mil euros e que é o maior em valor pecuniário no domínio da literatura de expressão portuguesa, foi criado em 2008 e nas duas primeiras edições foi conquistado pelo brasileiro Murilo Carvalho e pelo moçambicano João Paulo Borges Coelho. 

Enquanto analisa os inéditos, o júri não sabe por quem foram escritos, se são homens ou mulheres, se são iniciados ou consagrados. Só depois de a obra estar escolhida é que se abrem os envelopes com a identidade de quem concorreu.

O júri do Prémio LeYa 2012, presidido por Manuel Alegre, é ainda constituído pelos escritores Nuno Júdice, Pepetela e José Castello, por José Carlos Seabra Pereira, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Lourenço do Rosário, reitor do Instituto Superior Politécnico e Universitário de Maputo, e Rita Chaves, crítica literária e professora da Universidade de São Paulo.


Digo e repito: o livro No Meu Peito Não Cabem Pássaros foi dos melhores romances que li nos últimos anos. Sem tirar nem pôr. Passou ao lado de muitos leitores mas espero, sinceramente, que tenha agora uma segunda vida. É um prémio justíssimo!

o único tiro que interessa

O Presidente norte-americano Barack Obama prometeu ontem à noite fazer tudo o que o seu cargo permite para evitar que tiroteios em massa como o que aconteceu numa escola primária em Newtown, no Connecticut, na sexta-feira, se repitam. in Público

caso obama consiga alterar a lei de acesso e utilização de armas nos estados unidos será um dia único na sua história de violência. caso obama consiga mudar as mentalidades sobre os perigos do uso excessivo da violência por quem não tem preparação mental para a  usar será um momento único na história americana. caso obama consiga tudo isto será um  tiro certeiro, será o único tiro que interessa.

quinta-feira, dezembro 13, 2012

livros p'ro ho ho ho (update)


livro para quem diz que antigamente é que era


Lisboa Anos 60
Joana S. Vilela
Dom Quixote

livro para quem tem medo e não quer comprar um cão


A Instalação do Medo
Rui Zink 
Teodolito

 livro para quem perdeu o best of 2011


No Meu Peito Não Cabem Pássaros
Nuno Camarneiro
Dom Quixote

 livro para quem gosta de palavras reunidas sob a forma poética



Poesia Reunida
Maria do Rosário Pedreira
Quetzal


livro para quem é hipster-nobel


Não É Meia Noite Quem Quer
António Lobo Antunes
Dom Quixote

livro para quem gosta de pam! tátátá! pum! pam! tátátá!


Até Ao Fim
Ian Kershaw
Dom Quixote

livro para quem gosta de ão ão ão e snif snif snif


Arturo
Davide Cali
Bruaá

livro para quem gosta de bonequinhos a acompanhar uma boa história



Portugal
Cyril Pedrosa
Asa

livro para quem gosta dos modos do além-tejo




O Intrínseco de Manolo
João Rebocho Pais
Teorema

livro para quem tem na alma a chama imensa


Almanaque do Benfica
Rui Tovar
Lua de Papel

livro para quem trata a literatura por tu, ou por josé



José
Rubem Fonseca
Sextante

 livro para quem não percebe nada de livros e quer dar uma segunda vida ao casamento desfeito


As 50 Sombras de Grey
E L James
Lua de Papel

livro para quem acha que tudo isto é absurdo e resistiu às sombras de grey


Livreira Anarquista
Livreira Anarquista
Bertrand

quarta-feira, dezembro 12, 2012

da fugacidade do presente


não é questão filosófica ou crítica analítica, nem mesmo momento non-sense ou provocação natalícia, é a aterradora consciência de que envelhecer é isto mesmo: ainda ontem era janeiro e amanhã já acaba dezembro. chiça penico!, que estou tão velho como esta expressão.

a música não morre


... mas é um dia triste.

«Pandit Ravi Shankar, the virtuoso sitar maestro who introduced Indian classical music to the world and inspired the Sixties 'psychedelic' sound through his collaboration with the Beatles, has died. He was 92.» in The Telegraph

a arquitectura não morre


Brasilia, 1958
photograph Robson Corrêa de Araújo



...mas fica bem mais pobre.

«Para a Presidente Dilma Rousseff, o Brasil perdeu “um dos seus génios”. “É dia de chorar a sua morte. É dia de saudar a sua vida”, disse num comunicado oficial. “Niemeyer foi um revolucionário, o mentor de uma nova arquitectura, bonita, lógica e, como ele mesmo definia, inventiva", continua o texto, acrescentando que "da sinuosidade da curva, Niemeyer desenhou casas, palácios e cidades".» in Público

terça-feira, dezembro 11, 2012

escrytos



A ESCRYTOS é uma marca registada da LeYa que nasceu para permitir aos autores a auto publicação em formato digital dos seus livros e textos originais. A auto publicação é uma ferramenta na qual a LeYa se torna pioneira em Portugal mas que internacionalmente tem vindo a ganhar milhares de adeptos. Para o autor é uma ferramenta valiosa que lhe permite divulgar o seu trabalho sem necessitar da mediação de um editor. Através da utilização da ESCRYTOS o autor tem acesso a menus facilitadores de edição bem como à comercialização dos seus livros em formato digital nas maiores empresas mundiais distribuidoras de eBooks. Para a LeYa esta plataforma vai ao encontro daquela que tem sido a sua estratégia no contexto da estimulação da criatividade editorial e até mesmo no da procura de novos talentos de língua portuguesa. A ESCRYTOS junta-se a outras iniciativas da LeYa que contribuem para a criação de uma verdadeira comunidade que permite a todos os que escrevem em português a expressão das suas ideias, do seu pensamento e da sua obra, dando assim um novo e original uso à língua comum a centenas de milhões de pessoas por todo o planeta.


segunda-feira, dezembro 10, 2012

1640



Onde é que eles têm a cabeça? A Europa está em crise e exige-se união mais do que nunca. Pedem-se novas ideias, pensadores e sonhos. Há espaço para novos actores. E, contudo, ninguém surge. Pelo contrário, vivemos tempos em que todos procuram dar a resposta individualmente (mesmo que isso seja um individual colectivo). Paradoxo? Talvez. A História da Catalunha é antiga, todavia parece-me que ainda não foi verdadeiramente compreendida, assimilada e ultrapassada. Se aquele povo e cultura têm direito à sua independência? Têm, claro. E de que serve isso se os tempos que passamos não permitem uma real e verdadeira independência. Se são todos reféns dos mercados, do economicês e financeirês. Lutemos primeiro por uma alteração de paradigma politico, social e económico. Isso urge.
Quarta vez em Barcelona. Quarta experiência diferente. Infelizmente, em parte motivado pelo futebol, esta foi a pior. O atendimento foi quase sempre mau. Muito mau. Displicente, no mínimo. Ou seja, paga-se à norte de Europa mas recebe-se o pior do Sul. E a arrogância, a sobranceria e a prepotência dos policiais, dos empregados e de tanta gente? Mais do que nunca, senti os catalães orgulhosos de si mesmos. E, sinceramente, acredito que o excesso de orgulho será sempre mau, quer seja de um povo, religião ou clube.
Barcelona está cheia de arte urbana, de uma arquitectura singular que ultrapassa em muito (felizmente para mim) o Gaudi, e de uma movida intelectual estimulante. É essa a sua principal arma, é nesse campo que têm de medir força com a restante Espanha e Europa. E respeito-a muito por isso.
Quanto aos independentistas de andar por casa, como aquele que me provocou com o «sabes que somos povo irmão da escócia», só respondo que uns brincam aos referendos, outros ao complexo mundo das relações internacionais e à responsabilidade de ser independente. Parece-me justo. E, sobretudo, provocador.

O futuro é sombrio

Andamos tristes lá em casa, o Manel um pouco menos do que eu, é certo, porque gosta mais da vida e, além disso, já era crescidinho quando o doutor Salazar caiu da cadeira e, como tal, o retrato que tem à frente é-lhe, de algum modo, familiar. Mesmo assim, às vezes damos connosco, à noite, a olhar um para o outro bastante macambúzios: à nossa porta (maneira de falar), há cada vez mais homens com fome – e não da que se mata com um prato de comida, que aí ainda poderíamos ajudar (embora a caridade não seja solução), mas da que só se sacia com um trabalho que não existe, independentemente de os braços terem força para tudo e vontade de fazer. E nós, no meio dessa tristeza, publicando livros. Pobres livros... Depois da ilusão do Natal (e já será para poucos, bem sei), quem vai realmente poder comprar livros, goste ou não de ler, quando as mangas dos casacos dos filhos ficarem curtas e os sapatos apertados, apesar dos pés pequenos? Quem cometerá a ousadia de ler um livro novo quando Janeiro se eriçar de frio e a conta da electricidade começar aos gritos de alarme? Quantos dos nossos amigos e conhecidos, muitos deles grandes leitores, gente dos jornais e das televisões, individual e colectivamente despedidos, começarão o ano de 2013 (o 13 do azar) desempregados, ainda para mais com a consciência de que, na sua idade, pode ser (des)ocupação para muitos anos, enquanto o subsídio de desemprego – esse, sim – tem os anos contados? E que será então dos tradutores e revisores, das pessoas que trabalham nas gráficas, nas livrarias e nas editoras? Que será de mim e do Manel, por exemplo, se aquilo em que trabalhámos toda a vida, além de não pôr comida no prato de ninguém, fizer de nós mais dois com fome (maneira de falar), iguais a esses que todos os dias se vão acrescentando à nossa porta? A preto e branco vejo o retrato do futuro próximo. O Manel, que já viveu a sépia, entristece-se menos, aconselha-me a preocupar-me apenas quando (e se) esta ceifeira moderna bater à nossa porta. Sim, ainda temos casa e porta, é um facto. Muitos já as perderam. 

Maria do Rosário Pedreira in Horas Extraordinárias

sábado, dezembro 08, 2012

much more than an ad


Three Little Pigs, Guardian
(Cannes Lion Award-Winning)

segunda-feira, dezembro 03, 2012

o que é o futebol?



a pergunta é recorrente, frequente e insistente. é uma dúvida geral que não tem resposta universal. sim, acredita que não tem. cada um explica da sua forma, cada vive à sua maneira, «cada um é como cada qual». é por isso que tens o futebol científico, o futebol popular, o futebol moderno, o futebol à antiga, o futebol com garra, crença e querer, o futebol sem eira nem beira, o futebol do messi, o futebol do cristiano, o futebol dos jogadores, o futebol dos presidentes ricos, o futebol das colectividades, o futebol dos adeptos, o futebol dos amantes de história, o futebol dos que querem ter futuro, com ou sem playoff, penalties ou bola na barra, o futebol dos amigos que se reúnem do outro lado da europa, o futebol dos amigos que pensam a transferta a toda a hora, nem que seja para ir a arouca, o futebol dos que não pensam o futebol, só sentem, o futebol dos que não sentem apenas agem. não há pois palavras para fazer esta edição ne varietur do futebol, esquece, não vais fixar a essência do futebol em palavra alguma, que o futebol é apenas uma bola, umas linhas, umas regras e um grupo de miúdos felizes. dentro ou fora do campo. venha barcelona!

sábado, dezembro 01, 2012

2 anos

the national? pearl jam? beirut? nem sei, é muito mais do que isso. parabéns!