segunda-feira, dezembro 10, 2012

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Onde é que eles têm a cabeça? A Europa está em crise e exige-se união mais do que nunca. Pedem-se novas ideias, pensadores e sonhos. Há espaço para novos actores. E, contudo, ninguém surge. Pelo contrário, vivemos tempos em que todos procuram dar a resposta individualmente (mesmo que isso seja um individual colectivo). Paradoxo? Talvez. A História da Catalunha é antiga, todavia parece-me que ainda não foi verdadeiramente compreendida, assimilada e ultrapassada. Se aquele povo e cultura têm direito à sua independência? Têm, claro. E de que serve isso se os tempos que passamos não permitem uma real e verdadeira independência. Se são todos reféns dos mercados, do economicês e financeirês. Lutemos primeiro por uma alteração de paradigma politico, social e económico. Isso urge.
Quarta vez em Barcelona. Quarta experiência diferente. Infelizmente, em parte motivado pelo futebol, esta foi a pior. O atendimento foi quase sempre mau. Muito mau. Displicente, no mínimo. Ou seja, paga-se à norte de Europa mas recebe-se o pior do Sul. E a arrogância, a sobranceria e a prepotência dos policiais, dos empregados e de tanta gente? Mais do que nunca, senti os catalães orgulhosos de si mesmos. E, sinceramente, acredito que o excesso de orgulho será sempre mau, quer seja de um povo, religião ou clube.
Barcelona está cheia de arte urbana, de uma arquitectura singular que ultrapassa em muito (felizmente para mim) o Gaudi, e de uma movida intelectual estimulante. É essa a sua principal arma, é nesse campo que têm de medir força com a restante Espanha e Europa. E respeito-a muito por isso.
Quanto aos independentistas de andar por casa, como aquele que me provocou com o «sabes que somos povo irmão da escócia», só respondo que uns brincam aos referendos, outros ao complexo mundo das relações internacionais e à responsabilidade de ser independente. Parece-me justo. E, sobretudo, provocador.

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