segunda-feira, janeiro 28, 2013

Trinta por uma linha

Pedro anda sempre com um livro na mão. Pode não ler uma linha sequer, mas sabe-lhe bem essa companhia. Por vezes muda de livro. É também frequente que escolha outro livro sem ter lido uma linha do anterior. Pedro traz sempre um bloco consigo. Pode ter algo para escrever. Ou, simplesmente, apontar uma grande ideia. Ele acha que se perdem milhares de inovações e descobertas todos os dias. Só porque alguém não escreveu uma linha. Sim, as boas ideias são curtas. Como a sua vida. Mas ele não, não as perde pois anda sempre com um caderno. Pedro raramente tem uma caneta consigo. Lápis ainda menos. Contudo, ele não perde ideias. Elas não abundam. É capaz de ser melhor assim. Pedro dá-se com as pessoas certas. Deve ser um feliz acaso. Ele não acredita em sorte ou azar, e não prepara nada. Nem as companhias. Vive como um personagem de uma história por escrever. Pedro acha essa ideia fantástica. Devia escrevê-la. E não perdê-la. Pedro não tem caneta. Nem lápis. Não há mais Pedro nesta não história. Morra Pedro, morra BIC.

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