sexta-feira, março 01, 2013

O esquentador


Tenho a certeza - e é, provavelmente, das poucas coisas que posso garantir na vida -, de que o esquentador é um incompreendido. E não digo incompreensível, escrevo e repito: incompreendido. Assim, que nem um sujeito vivo. 
Primeiro, porque não compreendo a total ausência de referências nos antigos murais gregos, na mitologia romana, nas lendas celtas, nos contos dos Grimm e na letra do Grândola. 
Segundo, imagino perfeitamente a Sherazade a safar-se todo um dia e noite também - e não é nada pouco -, com a justificação: desculpa, perdi imenso tempo no banho, não conseguia acertar com a temperatura. Vamos ver e que está a dar no canal história?
Terceiro, tantas ligas protetoras no mundo e não há nenhuma que proteja o anão que vive dentro do esquentador? É que as condições de trabalho são infames quando comparadas com as dos anões do multibanco. Para começar o tamanho do aparelho é menor. Depois, ao contrário do mb onde há diversidade de funções: pagamentos de serviços, saldo, carregamento de telemóvel (dá para ficar com o número de catraias), o trabalho é mais repetitivo: aquece a água! Menos, menos, menos quente. Faz o tic tac tic tac da presença de fumos. 
Aliás, esta "proteção", esta "segurança", esta "defesa" é das coisas que mais me incomoda no banho, já que nunca chego a ter um normal. Estou eu ali a passar um bom bocado - sem excessos de açúcar ou ovos -, e zás: Água fria! E o anão a dar ao dedo naquele som ritmado que diz: olhós gaaaases! 
E é por isto que faço um apelo: caro anão, se me estás a ler peço-te que da próxima vez não desligues o esquentador. A sério, deixa os gases saírem e eu prometo que não vou todo nu fumar um cigarro ou fazer uma fogueira para a cozinha.

1 comentário:

Ricardo disse...

Os gases que saem sao maioritariamente CO, CO2 e SO. Sendo que o perigoso aqui e o CO.

A solucao ou pelo menos parte dela e comprares um canario, como faziam os antigos mineiros, e ver se ele morre.

O problema depois e que precisas de outro anao so pra controlar o estado de vida do canario.