terça-feira, abril 23, 2013

na minha rua

os velhos do restelo vivem na minha rua. pensam que o tempo não passa por aqui, que não ousa subir esta íngreme viela, que já tem planos para amanhã. os velhos da minha rua não acreditam nos relógios. muito menos nos calendários. contam histórias de outras vidas, elogiam os tempos vividos. não lhes sobra espaço para memórias futuras, nem para o futuro do conjuntivo. na minha rua vivem velhos. e novos. vivem muitas pessoas na minha rua. mas são as pessoas que já não vivem que fazem chorar as pedras das calçadas, é que entre janelas e portas entaipadas, entre mortos e fantasmas profissionais, já não vejo aldeia nesta cidade minha. antes era melhor, dizem.

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