sexta-feira, junho 21, 2013

a mudança e as coisas que não mudam


“o poder politico tem o monopólio da violência” e, sobretudo, é lhe permitido que a utilize. esta ideia é ciclicamente repetida e tem, como é natural, fundo de verdade porque monopólio não é exclusividade.
paralelamente, as manifestações são potenciais momentos de violência - por desespero, cansaço, por tudo ou por nada -  mas isso resulta quase sempre em efeitos contraproducentes para as causas defendidas.
os relatos em primeira mão que me têm chegado do brasil são um misto de “estamos a viver um momento histórico”, “a policia está a malhar de forma impiedosa”, “juntos somos mais fortes”, “onde está a policia?”, “os partidos são os únicos culpados disto tudo”.
é esta última afirmação que mais me preocupa, o problema não deve ser atribuído à democracia (e aos partidos, claro) mas antes à concretização da mesma. questionar a democracia pode ser a longo prazo tão perigoso como as acções dos políticos selvagens que povoam assembleias, governos, juventudes partidárias, etc.
a história tem provado de forma cíclica que os regimes mais autoritários vivem exactamente de ambientes (insatisfação democrática, disparidade económica e desigualdade social, descrédito da classe politica, etc.)  como os que se vivem no brasil, turquia, síria, egipto, portugal, frança, and so on.
e perante este cenário, que me parece sempre negro e sem solução, qual é o caminho? quero continuar a acreditar que “um outro mundo é possível” mas também não tenho dúvidas de que mudar é difícil. 
penso no meu próprio exemplo, nos últimos dois anos “procurei” respostas no manifesto para uma esquerda livre e no youth in crisis,  e vejo agora que o erro é sempre o mesmo. procuro (ou procuramos todos?) uma resposta global, a resposta. se possível que ela seja rápida, indolor e imediata, todavia, a vida (e a política não é excepção) dá trabalho. muito trabalho! só que, (in)felizmente, o benfica joga duas vezes por semana, há concertos para ouvir, filmes para ver, livros para ler, copos para beber com amigos, próximos e até desconhecidos. há tanta coisa para fazer e viver. não será melhor começarmos por ter dias maiores? 24 horas é tão 200 mil a.c.

e regresso às perguntas iniciais: como mudar o inevitável? onde está a mudança necessária (e desejada) e como evitar o que nunca muda? 

terça-feira, junho 18, 2013

As pedras que voam entre o ontem e o amanhã

Continuo a não ter a certeza de que as manifestações (e posteriores confrontos) na Turquia e no Brasil sejam resultado de uma súbita consciência político-social dos intervenientes e, sobretudo, que o amanhã seja melhor do que o ontem. Infelizmente, as posições defendidas nestes casos ficam quase sempre mal vistas na restante opinião pública e os resultados são por norma contraproducentes. Espero mesmo que desta vez seja diferente nos dois casos mas...

terça-feira, junho 11, 2013

alegoria da caverna 2013

a escuridão, o breu,  a ignorância . a luz apaga-se (link), a informação desaparece (link), e o mundo fica um pouco mais distante de quem iluminou primeiro a caverna. 
a luz, o choque, a humanidade. a mulher sai da passerelle, foge dos estereótipos e confronta (link) os retrógrados. são estes pequenos gestos que me garantem que ainda há luz ao fundo da caverna, mas até quando?

segunda-feira, junho 10, 2013

homeless

14

são 14 corpos órfãos de sorte. são estas ruas que me levam a casa plenas de velhos perdidos, de alcoólicos abandonados e panos velhos. é uma cidade negra que me acorda à noite, noite após noite. é a outra lisboa. é a cidade que me cala a voz, me seca os risos e me prova que as luzes da festa são apenas um delírio colectivo que não faz sentido algum. gosto da minha cidade, gosto muito, mas quero uma outra lisboa. hoje, a pobreza entrou em casa e deita-se a meu lado.

segunda-feira, junho 03, 2013

A vida no parque nunca foi tão perfeita

«Há uma regra de ouro nos festivais: quando se aproxima a hora do concerto que queremos mesmo ver – e não mais um daqueles “deixa ver estes tipos, pode ser que toquem aquela” – é preciso deixar de beber cerveja e procurar uma casa de banho. Na altura certa, nada nos pode desviar as atenções. Nem nada nem ninguém. Muito menos os amigos que dizem, “estamos cá atrás do lado esquerdo. Elas não são muito altas, não vêem bem”. Pois, entendo, mas esse problema não é meu. O meu problema é que estou há dez anos à espera disto. Melhor, estou à espera desde sempre. Nunca vi os Blur como a graça da pop os concebeu (com Graham Coxon na guitarra, coisa que não aconteceu no Coliseu dos Recreios em 2003) e esta oportunidade, a 1 de Junho, no Primavera Sound 2013, Parque da Cidade, Porto, pode muito bem ser a última. Por isso não me incomodem. Se isso acontecer, não vai ser bom para ninguém. E não levem nada disto a mal, que estar nervoso antes de um concerto é bom sinal.»

Tiago Pereira 

[o artigo continua em Carrossel, um projecto novo que é bom para cacete]