sexta-feira, julho 05, 2013

Regresso das Prostitutas



Já se esquecera a que sabia o sémen
de um estranho. E agora, que voltava
sem querer às ruas vermelhas, quase se
arrependia de ter apagado tão depressa
o nojo e a indecência nos caracóis de

um menino que haveria de ser sempre
só dela. E como lhe parecia igualmente
viscoso e escorregadio o dinheiro que no
fim lhe entregavam dobrado e à pressa –
tão diferente do cartão limpinho com que

as senhoras lhe tinham pago vestidos ao
balcão, na loja que agora dava pena, assim
entaipada. Ai, se o menino soubesse que

era ainda nele e nas suas brincadeiras que
pensava quando agachada ali, diante de um
estranho, abria a boca e fechava os olhos.
Maria do Rosário Pedreira
Abril de 2013 in Carrossel

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