segunda-feira, setembro 23, 2013

hoje

(...)
Criam a origem pela origem, num corpo duplo e uno,
transformam-se subindo morrendo em verde orgia,
inertes renascem de onda em onda radiantes,
reconhecem-se no vento que os expande e os dissolve,
o mundo é uma brecha um esplendor um redemoinho.

António Ramos Rosa (1924-2013)

sexta-feira, setembro 20, 2013

nome comum

são uma das melhores surpresas no panorama nacional, são imagens feitas onomatopeias, são tradições musicadas. o 'cuco' chegou e há muito espaço para ele voar, porque os nome comum não são um lugar comum. 



concerto de apresentação do álbum, no dia 26 de setembro, no teatro do bairro.

cannon fodder

o nosso presente é resultado de tantos passados, de tantas influências, de tantos preconceitos. somos história, cultura, política, economia, sociedade, afectos, razão, somos tudo isto. e somos mais, somos carne de canhão. somos um teste-feito-à-medida-dos-senhores-engenheiros-que-acham-que-sabem-tudo do futuro. gostaria - será que gostaria mesmo? -, que a nossa experiência de vida fosse apenas sobre o nosso próprio futuro. gostaria de pensar apenas e só na minha vida, nos meus receios, nas minhas inseguranças, nas surpresas que o trabalho me traz, no prazer que o amor me dá. gostaria. e, contudo, está difícil. vivemos tempos de pouca-vergonha, de nenhuma-vergonha, de o-que-é-isso-da-vergonha? no momento em que portugal e a europa mais precisam de referências, encontramos o maior vazio das suas histórias. é triste e perigoso mas a política atingiu mínimos olímpicos e só me apetece mandá-los fodder. 

blue portobello road


london '13

música & miúdas

a internet continua a ser um poço - sem fundo à vista - de informação inesperada e inútil. o que não quer dizer que não seja divertida:

"What Your Taste In Music Says About You On A Date"  
(...) 
David Bowie: You’re selective, but slutty. 
The Arcade Fire: You spend the first third of relationship in a romantic frenzy and the last two trying to justify it. 
The Pixies: Relax. You’re cool. 
(...)

quinta-feira, setembro 19, 2013

a vida e uma canção


é cinema, vida e música. só que nem todos somos actores, heróis ou a música harmoniosa que nos embala. infelizmente, somos pouco mais do que uma transparência quando deviamos ser heróis.


Carta aberta a uns pedaços de merda

Olá, amiguinhos do FMI. Eu sou o ratinho branco. Desculpem estar a incomodar-vos agora que vocês estão com stress pós-traumático por terem lixado isto tudo. Concluíram vocês, depois do leite derramado: "A austeridade pode ser autodestrutiva." E: "O que fizemos foi contraproducente." Quem sou eu para desmentir, eu que, no fundo, só fiquei com o canto dos lábios caídos, sem esperança? O que é isso comparado com a vossa dor?! Eu só estiquei o pernil ou apanhei três tipos de cancro, mas é para isso que servimos nos laboratório: somos baratos e dóceis. Já vocês não têm esses estados de alma (ficar sem emprego, que mau gosto...), vocês são deuses com fatos de alpaca e gravata vermelha como esses três novos que acabam de desembarcar para nos analisar os reflexos. "Corre, ratinho branco!", e eu corro. Vocês cortam-me as patas: "Corre, ratinho branco!", e eu não corro. E vocês apontam nos vossos canhenhos sábios: "Os ratos sem pernas ficam surdos." Como vocês são sábios! E humildes. Fizeram-nos uma experiência que falhou e fazem um relatório: olha, falhou. Que lição de profissionalismo, deixam-nos na merda e assumem. Assumir quer dizer "vamos mudar-lhes as doses", não é? E, amanhã, se falhar, outro relatório: olha, falhou. O vosso destino, amiguinhos do FMI, eu compreendo. Vocês são aves de arribação, falham aqui, partem para ali. Entendo menos o dos vossos kapos locais: em falhando e ficando, porque continuam seguros no laboratório?

Ferreira Fernandes in DN, 19.09.13

quinta-feira, setembro 05, 2013

quarta-feira, setembro 04, 2013

questionário breve

é tudo uma questão de expectativas, dizia-lhe a avó. ela sempre fora assim, com os pés bem assentes na terra aguentando um segundo marido abominável. 
é tudo uma questão de memória, ou da falta dela, garantia-lhe o irmão. é simples, é só esquecer que os dias são cada vez mais longos e difíceis.
é tudo uma questão de perfeição, afirmava o pai. ou és perfeito, ou apenas o procuras ser e aí o consciente não perdoa. serás um fracassado, filho.
é tudo uma questão de tempo, sussurrava-lhe a mãe. é ignorar a urgência de viver, o não ter tempo para aprender. é aprender a viver, filho. 
é tudo uma questão de relativo-absoluto-sintético-analítico, só faltava alguém dizer. 
o que lhe doeu mais foi descobrir que a sua vida foi um desolador inquérito de verão e nem quando a virou ao contrario encontrou respostas.