quinta-feira, março 13, 2014

uma manhã

falta-me a tua voz rouca pela manhã, o cheiro a perfume de homem e o beijo de adeus-até-mais-logo. e sobra-me um puxar de lençóis até cima, um enroscar no canto da cama, um esconder debaixo de três, quatro ou cinco almofadas. está  ai o novo dia, o seguinte, o próximo, o amanhã que insiste em aparecer para almoçar. lá fora, os pássaros chilreiam canções de amor, cá dentro, a rádio descreve a guerra próxima. e eu, sozinha e só, sem as tuas mãos quentes, sem os teus truques, sem os teus silêncios. falta-me uma música, um livro, uma peça, um filme, algo que explique o que é isto. como, quando, onde, porquê? deixei a jornalista à porta desta relação e agora não encontro o caminho de volta. agora não te encontro. agora não te tenho aqui. agora, só não queria que fosse agora. 

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