sábado, novembro 15, 2014

é hoje. dispara.

só queria ir dormir. doía-lhe o corpo e perdera a paciência para uma casa vazia. nem cão, nem gato. nem mesmo o cacto que não paga imposto de vida. nada era vivo em volta dele.
eram mesmo assim os dias que o envelheciam.
um computador comprado à pressa - o negócio da mais recente promoção no correio -, e uma tv que em stand-by lhe trazia mais luz às suas longas horas que as fotos duma família que vinha de oferta com as molduras.
merda! que os ovos já queimaram. sempre assim. ovos podres e dias longos, uma vida de carnaval sem nunca chegar ao enterro. um sofá vincado com o seu rabo gordo, e nem uma puta velha para o satisfazer.
careca sofre, gostaria ele de dizer se aos ouvidos atentos do outro lado. mas até deus tinha outros planos combinados para esse dia.
é hoje. dispara., ouviu dizer. e disparou a medo.

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