domingo, novembro 09, 2014

IX

ela garantiu-me que um dia iriamos voltar à nossa terra. sempre lhe disse que sim mas isso não fazia qualquer sentido para mim. aquela cidade nunca me chamou, não queria viver o seu cheiro, as suas cores, muito menos as suas palavras. néons, apostas, prostitutas e desconhecidos, isso não podia ser a minha terra. tinha inveja do alentejo profundo do rui, do minho verde da sara, do ribatejo bêbedo do carlos. portugal era meu e, contudo, a minha mãe falava-me de uma cidade distante que era mais minha que os meus longos cabelos pretos. ela morreu antes de voltarmos à cidade prometida e hoje fiz finalmente a pergunta: "tem voos directos para macau?"

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