domingo, novembro 16, 2014

XVI

"bate-me!" tu páras, olhas para mim, apertas-me contra ti, encostas a tua boca ao meu ouvido e dizes: "não te compreendo mais. quem és tu? que passado te trouxe aqui? onde andaste tu afinal? que mentiras vivemos nós nestes últimos meses? vejo os teus castanhos olhos que se esvaziaram, a tua boca que esqueceu o sorriso infantil com que me acordavas todas as manhãs, os teus cabelos revoltos, as tuas olheiras desesperadas e pergunto-me porque parece que nos casámos há uma vida. as tuas palavras parecem roubadas de um livro rosa, os teus beijos uma farsa romântica e sinto-me que vivo numa casa de novela tão vazia quanto as nove horas da noite da minha avó. quem és tu? não aguento mais isto. desculpa mas preciso de pensar, de mudar, de voltar a sentir." saltas da cama, vestes a primeira roupa que está em cima da cadeira, pegas numa mochila preta, atiras umas roupas lá para dentro. deixas um beijo no ar, uma palavra murmurada e uma porta fecha-se. é um até já, não é?

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