sábado, novembro 22, 2014

XXII

são tão bonitos estes cemitérios. acabo por me sentir numa reconfortante paz nestes verdes jardins rasgados por pálidas lápides. volto aqui, regularmente. foi carlos, foi maria, foi pedro e agora a minha mãe. e este jardim que me traz o silêncio que não encontro em mais nenhum lado. morreste e deixas, aqui, a ausência total. ninguém te quer, mãe. eu, a velhota do 3b e um senhor que estava aqui de passagem. deve ser triste morrer assim. não quero ser assim, tenho medo de ser assim. não te quero mãe. morreste só e esquecida da vida. deixas-me cá sozinha, num verde campo e presa ao passado que não quis comprar. odeio-te, mãe. odeio-te porque nem a praia me aquece neste dia.

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