quarta-feira, janeiro 07, 2015

"Je suis Charlie!"


"Nous sommes… », não, é apenas “je suis”. Não somos todos iguais, não interpretamos da mesma maneira este crime/massacre/vingança/azar/estava-se mesmo a ver quando se dá liberdade aqueles monstros. Todos partilham os vídeos, as ilustrações, as fotos, os nomes, mas são muitos os que, embora genuinamente sensibilizados, amanhã desviarão as suas atenções para o próximo evento mediático, seja a cólera, um tufão, ou a humidade na cela 44. Mais do que isso, irão interpretar este acontecimento como mais um momento “eu nem acho isso mas se calhar os árabes são todos iguais”. Não somos todos iguais, repito. Os muçulmanos não são todos árabes, os árabes não são todos extremistas religiosos, são inúmeras as variáves. E podemos subsituir estes conceitos por judeus, ciganos, pretos, ah, como é lindo o mundo da matemática. Infelizmente, as relações humanas e políticas não são uma equação com as respostas certa na última página. Integrar, segregar, apoiar, dividir, religião, ateismo, onde está a melhor resposta para cada problema, onde está a última página? Não somos todos iguais, não interpretamos da mesma forma o que aconteceu hoje, aliás muitos dos jornalistas que hoje são Charlie, passam a vida a escrever o que lhes ditam, muitas das pessoas que elogiam e se sentem um pouco mais Charlie são os primeiros a desprezar e segregar o próximo. “Je suis Charlie”, não porque sou como aqueles jornalistas mas porque gostaria de ser como eles.

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