quinta-feira, março 26, 2015

um café com borra

estou farto dos velhos do café da esquina. é a conversa sobre a máquina de tabaco que não é arranjada, a garantia que noutros tempos é que era, a certeza de que o vinho está cada vez pior e a culpa tem de ser do governo. falam do sr. saraiva que não aparece vai para quatro dias mas ninguém o procura. acusam a sra. lurdes de estar sempre com os humores e dever uma semana de cafés mas ninguém a confronta. insultam o sr. mendonça, o bêbedo de serviço, mas nunca lhe ouviram um lamento. os tempos passam lentamente no café da esquina, é assim em todos, mas custa mais no meu. peço um café e faço dele uma tarde sem fim. veio com borra, uma chatice, um inferno, e, pior que tudo, ainda falta tanto tempo para o final do dia.

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