terça-feira, abril 14, 2015

14 de abril

m. e j. são duas mãos dadas, um olhar cúmplice e uma longa história feita de silêncios por contar. está um sol bonito no jardim do torel, os dias sempre terminaram assim quentes, dóceis, acolhedores, neste pátio de casa. a idade pesa-lhes nas pernas, na respiração ofegante que cada degrau traz, nos cabelos brancos que se abanam em cada brisa de abril. dois cães a fugir, uma criança a chorar, duas amigas liceais que trocam juras de amizade eterna. um jardim é uma fotografia do presente, é o pause do que vivemos, é uma viagem ao âmago de um bairro. este jardim é deles, eles são este jardim. 2010, projecto10, s.josé, carrião, um jardim, passeios por mil parques, mil países, mil viagens e sempre o regresso àquele jardim, àquele fim de dia. está um dia bonito, meu amor., digo-lhe. está sim, meu amor., responde. sabes que hoje é dia 14?, pergunto. claro que sim. mas continua a parecer que foi ontem., sussurra. tanto anos vividos, tantos por viver. hoje é dia 14 e há festa no jardim, mas amanhã quero os teus pés nos meus outra vez, que a procissão ainda vai no adro e as noites de abril continuam frias.

quinta-feira, abril 09, 2015

Grupo Excursionista Vai Tu - APELO


A Direção informa que o prédio onde se encontra sediado o Grupo Excursionista Vai Tu, no nº 6 da Rua da Bica Duarte Belo (linha do Elevador da Bica) foi vendido a uma empresa particular e que os novos proprietários não pretendem renovar o nosso contrato de arrendamento. Legalmente é lhes permitido tal ação pelo que o Vai Tu, ainda que em negociações, está na eminência de encerrar definitivamente as portas no final de setembro de 2015.

Irão ser feitas obras de restauro profundo já que o prédio está em péssimas condições e obrigatoriamente temos que sair dali.
É muito doloroso para uma colectividade que faz este ano 67 anos de existência (03-09-1948) e que sempre esteve ligada à cultura e à beneficência, ver o esforço de tantos anos ir por água abaixo de um dia para o outro. Nesse sentido, a atual direção está a fazer os possíveis e os impossíveis para que isso não venha a acontecer, conforme prometemos aos sócios na última Assembleia-Geral, mas estamos a ficar "desesperados" e apelando à ajuda de todos talvez seja mais fácil:



PRECISAMOS URGENTEMENTE DE UM ESPAÇO PARA ARRENDAR NO BAIRRO DA BICA.



Não faz qualquer sentido sairmos do BAIRRO, perdia-se o VAI TU e perdem os seus associados. Basicamente são pessoas idosas, residentes na Bica, e esta colectividade é a sua primeira casa pois é aqui que se reúnem diariamente a jogar, a conversar, a beber o seu copito, a ver o seu jogo de futebol e muito mais...
Existem muitos espaços "abandonados" no nosso bairro e não sabemos quem serão os proprietários, se é que existem, e que eventualmente até poderiam servir como novas instalações. Da parte da C.M.L não há espaços disponíveis na freguesia, do lado dos novos proprietários também não, e o tempo vai passando e o Vai Tu precisa realmente de continuar a trabalhar e manter viva a nossa coletividade e todo o seu associativismo.
Aproveitamos para informar que não podemos, como é óbvio. suportar rendas brutais, pois sobrevivemos sem quaisquer apoios e com despesas mensais certas, às quais tivemos de acrescentar o arrendamento de um armazém para guardar todo o material que estava no 1º andar do prédio e que apenas é utilizado na altura dos Santos Populares e que já não cabe na sede....como diz o ditado: "manda quem pode, obedece quem deve", o 1º andar estava "emprestado" para esse fim e, por ordem da CML, num fim de semana teve de se retirar tudo o que lá estava armazenado.
Assim vimos por este meio apelar aos sócios, amigos, conhecidos e afins, que na eventualidade de saberem de algum espaço disponível para arrendar onde possa funcionar uma coletividade nos informem, nos mandem mensagem, se dirijam à coletividade, mas que acima de tudo nos ajudem a evitar que se perca uma associação com o bom nome e história que o Vai Tu sempre teve e que pretendemos que venha a continuar a ter por muitos anos.Obrigado!


A DIREÇÃO

tv on the radio - em casa e fora de casa

segunda-feira, abril 06, 2015

lykke li - em casa e fora de casa

amor à bolina

ele nunca gostou de andar de barco. não é medo, é respeito., diz. aceno que sim e perco os olhos no horizonte. o mar está calmo, as nuvens são poucas e a aragem nem chega para o despentear. dá-me a tua mão, as tuas mãos. não, não quero., reage. arranco-as dos bolsos, estão suadas, tremem um pouco. isso não é respeito, é mais do que isso, tens de confiar em mim, no barco, no céu azul. deixa-me! já te disse que os homens não foram feitos para navegar, voar ou... queres ficar para sempre no teu canto, é isso? sim. no meu recanto. não sejas assim, o mar é nosso, faz parte de mim, de nós. perdi o meu avô numa pescaria com bilhete só de ida e nem assim deixo de querer este mar meu. eu sei disso mas do mar só quero o azul dos teus olhos. eu disse-te que fazia esta viagem até à casa da tua família mas agora respeita o meu silêncio. aproveita o som das ondas, dos golfinhos, das gaivotas. vive a azáfama do mar e deixa-me, por favor, amor. ok, pode ser mas quero que saibas uma coisa: és o único que amo e só contigo me quero entregar ao mar. dou-lhe um beijo e sei que o assustei. ainda bem, o mar não é para meninos!