segunda-feira, abril 06, 2015

amor à bolina

ele nunca gostou de andar de barco. não é medo, é respeito., diz. aceno que sim e perco os olhos no horizonte. o mar está calmo, as nuvens são poucas e a aragem nem chega para o despentear. dá-me a tua mão, as tuas mãos. não, não quero., reage. arranco-as dos bolsos, estão suadas, tremem um pouco. isso não é respeito, é mais do que isso, tens de confiar em mim, no barco, no céu azul. deixa-me! já te disse que os homens não foram feitos para navegar, voar ou... queres ficar para sempre no teu canto, é isso? sim. no meu recanto. não sejas assim, o mar é nosso, faz parte de mim, de nós. perdi o meu avô numa pescaria com bilhete só de ida e nem assim deixo de querer este mar meu. eu sei disso mas do mar só quero o azul dos teus olhos. eu disse-te que fazia esta viagem até à casa da tua família mas agora respeita o meu silêncio. aproveita o som das ondas, dos golfinhos, das gaivotas. vive a azáfama do mar e deixa-me, por favor, amor. ok, pode ser mas quero que saibas uma coisa: és o único que amo e só contigo me quero entregar ao mar. dou-lhe um beijo e sei que o assustei. ainda bem, o mar não é para meninos!

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