quinta-feira, julho 23, 2015

histórias com mar

na tua terra é diferente, não é? se quiseres podes começar a andar e só acabas nos urais, e isso se quiseres. na tua terra é melhor, tenho a certeza disso. e é por isso que não percebo qual a razão que te trouxe aqui. não percebes que isto é uma terra maldita? é uma terra que sofre de ter a água que outros não têm, que sofre de ter a chuva que outros desejam, que sofre de ter um mar que nos tira daqui mas nunca nos devolve. não entendo! vejo-te aqui, neste tasco perdido, a rir com a tua dentição completa, com as tuas frases cheias de palavras estrangeiras, com os teus olhos azuis de quem sempre amou o mar e não percebe. és tu quem não percebe que este mar é morte. estamos rodeados de morte. não há local nesta ilha onde não se veja a morte, onde não se veja o mar. não percebo porque não te percebo. tens as mãos macias de quem sempre esteve fechado num escritório, num gabinete, numa escola ou numa casa de mil empregados e muitos sorrisos. aqui é diferente, tudo é duro, tudo rasga as mãos e nenhum peixe é dado pelo mar. somos os presos desta ilha e eu não encontro a estrada para longe daqui. na tua terra é diferente, não é?

era a segunda à esquerda


açores 2015

mind da gap - em casa e fora de casa