sexta-feira, agosto 28, 2015

histórias com mar II

o silêncio por toda a casa, a mala por fazer, a manhã que está aí a chegar e ele que não chega. é a última noite até à próxima. que está longe. e ele que talvez não volte. dizem que vida de pescador é dura mas a de mulher não é menos. ele não volta. ele não chega. era um copo ou dois apenas. o telefone não toca e eu fecho os olhos. o sono não vem. ele sempre foi assim, ele é assim. pescador com porto mas sem batel. nada é dele, é tudo emprestado ao tempo, ao futuro incerto, à morte. li no jornal que ele é sagitário e são todos assim, se o jornal diz. quero-o de volta. preciso dele! amanhã ele vai-se e não sei quando volta. não me lembro da última noite, da última viagem, do último carinho, da última vez que não fui apenas uma continuação do passado, quanto mais da penúltima. a luísa da novela é igual, ele até a a ama mas não mostra, dizem que os homens são assim. o rodrigo era assim, são todos assim, os homens. ele não volta. talvez volte por esta noite mas não volta. quero os meus 30 anos mas eles não voltam. ele não volta. toca o telefone. é ele?

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