segunda-feira, novembro 20, 2017

lago falkner

"mississippi, fica no mississippi, pai. é uma terra pequena como a nossa e aposto que há lá uma criança, como eu, que estará a pensar em mim. acredita, pai." o pai sorriu, sorria sempre com os comentários tolos de paola. ela era uma criança diferente, tinha uns olhos vivos, fazia perguntas perspicazes e comentários mordazes. era uma pequena mulher num corpo de criança. tinha até um jeito especial de mexer o cabelo, tal e qual o da sua mãe. e, nesses momentos, os olhos de nico ficavam um pouco mais noite. "podemos ir lá, pai? podemos?" ele sorria, ele sorria sempre quando não tinha uma resposta boa. não havia dinheiro para alimentar o gado no próximo mês, quanto mais para cruzar um continente. ele sorria porque queria dar tudo à sua filha e cada vez lhe sobravam mais sorrisos. tristes. desolados. abandonados. paola era uma criança diferente e percebia bem o que ele queria dizer com aqueles sorrisos silêncio. percebia que não havia amanhã certo, que tudo era uma luta dia a dia no dia a dia, mas ela também sabia que eles estavam juntos. que eles ficariam para sempre juntos. podia ser ali, podia ser no mississippi, ou no doce amor de um sorriso.

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